Vou me entorpecer bebendo vinho
Uma das coisas que eu aprendi a gostar nos últimos anos é a beber vinho. Acho que é algo do tipo “virei aduta e estou bebendo outras coisas que não são cerveja”. Eu não entendo porra nenhuma de vinho, mas gosto de ficar no supermercado olhando horas pras prateleiras tentando escolher um. No início, os critérios de escolha eram os mais aleatórios possíveis. Quando eu simpatizo com o rótulo e/ou acho o nome engraçado (na minha mente doente) eu acabo levando. Isso se o preço é razoável. Não gasto mais de 40 reais numa garrafa.
Agora, que eu bebo quase regularmente, e fiz algumas degustações turístico-etílicas no Vale dos Vinhedos, eu cheguei a conclusão que gosto de Cabernet Sauvignon. Eu gosto de vinho forte e encorpado (pelo menos é a descrição resumida que nego dá pra vinhos dessa uva). Mas eu fico por aí. Não sei distinguir uma uva de outra, depois de 10 copos eu acho tudo a mesma merda e fico super feliz. Queria até entender mais um pouco sobre as diferenças, mas morro de medo de me transformar numa enochata. Acho que esses cursos de formação de enochatos lobotomizam as pessoas, e elas saem de lá se achando o último biscoito do pacote depois de saber que a porra do vinho tem aroma de café com bolo de chocolate com cobertura de chantily.
Lá na degustação das vinícolas, até senti um aroma diferente do álcool. Fiquei feliz de sentir algo que não parecia cheiro de uva e álcool. Mas não consegui distinguir o odor. Quando eu souber dizer “ah, esse vinho tem aroma de baião de dois e macacheira eu ficarei feliz e orgulhosa de mim mesma. Mas acho que eu ficarei mais feliz quando entender esquemas táticos de futebol e saber relacionar o número das camisas às posições dos jogadores em campo. Eu acho isso tudo muito difícil, sabe.
Enquanto isso, eu continuo comprando Cabernet Sauvignon e sempre que posso, compro vinhos com nomes nerds. Já comprei o Adobe - o que vende no mercado é o Camernere - e é bem bão. O Norton, o vinho anti-virus, também é bacana. Acho que o que eu comprei era Merlot. E o Oracle, o vinho banco de dados da África do Sul (que é logo ali) era um Cabernet. Espero encontrar mais vinhos de nome nerd para “degustar” (leia-se: secar a garrafa inteira).







